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Político · 01/12/2025

A Democracia dos Cabelos Brancos

A sabedoria do joelho que prevê chuva

Você já reparou que a dona Lourdes, sua vizinha de 70 e poucos anos, entende mais de tendências políticas do que muito analista de terno? Ela sabe exatamente quando uma promessa de campanha é furada, com a mesma precisão com que o joelho esquerdo dela avisa quando vai chover. A questão é: o Brasil está envelhecendo rapidamente. Estamos trocando, aos poucos, as fraldas geriátricas pelas fraldas infantis na pirâmide etária. E a nossa democracia? Bem, ela ainda age como uma adolescente rebelde que não quer ouvir os mais velhos.


Votar é importante, mas chegar ao postinho também é

Quando falamos em "valores democráticos" na terceira idade, a conversa vai muito além de apertar os botões da urna eletrônica a cada dois anos (com aquela fonte ampliada que ajuda bastante, convenhamos). Democracia real para quem tem mais de 60 anos é chegar no posto de saúde do bairro e ter o remédio de pressão. É ter calçadas onde uma bengala, ou um simples tropeço, não se transforme em uma fratura de fêmur e um mês de internação.

A saúde pública é a maior prova de amor que um Estado democrático pode dar aos seus cidadãos. Afinal, não adianta ter liberdade de expressão se falta fôlego para falar por causa da poluição do ar.


O calor não respeita os anos de contribuição

E aqui entra o nosso elefante na sala (ou melhor, a onda de calor na cidade de concreto). O meio ambiente não é pauta exclusiva de jovens ambientalistas; é uma questão de sobrevivência para os nossos avós. As mudanças climáticas e as ilhas de calor nos centros urbanos afetam os mais velhos de forma impiedosa.

A praça arborizada do bairro não é apenas um "enfeite verde" para valorizar o IPTU. A sombra de uma árvore frondosa regula a temperatura, purifica o ar e cria o cenário perfeito para o torneio de dominó ou a aula de Tai Chi Chuan. Defender o plantio de árvores e a redução da poluição é, ironicamente, a melhor política de geriatria que um prefeito poderia adotar.


Uma sociedade boa para os 80 é boa para os 8

Existe uma regra de ouro no urbanismo e na cidadania: se uma cidade é segura e acolhedora para uma pessoa de 80 anos e para uma criança de 8, ela é perfeita para todo o resto.

Incluir os mais velhos nas decisões políticas e garantir a eles um ambiente limpo e saudável não é caridade; é um investimento no nosso próprio futuro. Afinal, se tivermos sorte, e se cuidarmos bem do nosso ar e da nossa saúde, um dia seremos nós ali na praça, reclamando do clima e dando palpites geniais sobre o rumo do país.

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