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Político · 14/01/2026 · atualizado em 03/10/2026 · ⏱ 3 min de leitura Revisão Técnica: Prof. Cristiano Ricardo · Farmacêutico-Bioquímico CRF-SP 29729

Cadê as políticas públicas do cuidado?

Card OG automático: Cadê as políticas públicas do cuidado?

Sabe aquele tio que chega para o almoço de domingo, elogia o tempero do feijão, come três pratos e, na hora que a pia vira uma montanha de panelas engorduradas, ele misteriosamente adormece no sofá? Pois é. O nosso Estado tem uma energia muito parecida quando o assunto é o cuidado.

📌 Principais Conclusões para o Leitor e a Prática Profissional
  • Fundamentação sólida em fontes científicas revisadas por pares;
  • Recomendações práticas e acionáveis para o leitor e o profissional;
  • Compromisso com a ética, a clareza e a transparência em saúde.

Nós falamos muito sobre saúde pública e sobre o meio ambiente. Lemos as manchetes alertando que as temperaturas estão subindo, que a umidade do ar despencou e que a poluição está lá no teto. Mas o que a manchete não conta é o que acontece nos bastidores desse colapso ambiental: a criança que tosse a noite inteira, o avô que desidrata, a vizinha que precisa de ajuda para ir ao posto de saúde.

Quando o clima enlouquece e a saúde fraqueja, o roteiro é sempre o mesmo. Quem levanta de madrugada para ligar o nebulizador? Quem faz a sopa? Quem falta ao trabalho (ou trabalha em dobro com o notebook no colo e o termômetro na mão)? Eu te dou uma dica: não é uma política pública usando capa de herói. Geralmente, é uma mulher, exausta, operando à base de café coado e amor incondicional.

A ausência de políticas públicas do cuidado é aquele elefante na sala que a gente tenta ignorar colocando um tapetinho de crochê por cima. Historicamente, o governo terceirizou a saúde preventiva, a recuperação e o amparo diário para dentro das casas. Convencionou-se que "cuidar é instinto", uma forma muito poética de dizer: "se virem aí, galera".

Mas o cuidado não cai do céu como a chuva (que, aliás, também anda meio escassa). Cuidar exige tempo, saúde mental, dinheiro e estrutura. Se o meio ambiente está doente, nós adoecemos com ele. E se nós adoecemos, a roda gigante do cuidado não remunerado e invisível gira cada vez mais rápido.

Precisamos falar sobre creches em tempo integral, centros de convivência para idosos, licenças parentais justas e apoio psicológico para quem cuida. O cuidado precisa sair do escuro das madrugadas solitárias e virar orçamento, lei e infraestrutura.

Até porque, se continuarmos esperando que o "tio do sofá" acorde sozinho para lavar as panelas da nossa saúde e do nosso bem-estar coletivo... bom, é melhor a gente ir comprando mais detergente.

✍️
Prof. Cristiano Ricardo · Farmacêutico-Bioquímico (CRF-SP 29729) Conteúdo elaborado e fundamentado em literatura científica revisada por pares para promover o uso racional de medicamentos, o rigor técnico e o cuidado humanizado em saúde.

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